21 - O ESFORÇO ...




Ao esforço por «reparar que ELE me olha», Teresa chama-lhe «Recolhimento activo», porque depende de nós procurá-lo, exercitarmo-nos nele e mantê-lo. Diz Teresa: «entendei que isto (ainda) não é coisa sobrenatural, senão que está no nosso querer e podemos fazê-lo com o favor de Deus pois, sem ele, não se pode nada...» C.P.29,4)

Porque, com o tempo, outro «recolhimento» aparecerá, sem que a actividade humana o possa justificar! A este chama-se «recolhimento passivo» que é um Dom de Deus!

Teresa atribui ao «Recolhimento activo» um alto valor humano porque ajuda muito a tornarmo-nos pouco a pouco,  «senhores de nós mesmos». Em definitiva é um modo inteligente de controlo que a pessoa exerce sobre si mesma e que trata de pôr ao serviço deste exercício de fé que é a oração ( a relação com O Amigo).

Este recolhimento activo que favorece o auto-controlo nada tem a ver com o humanismo fechado e auto centrado sobre si mesmo. Teresa difere radicalmente desses dois humanismos, já que para ela o que lhe interessa é  «dispôr-se a ser tomado por Deus». Assenhorear-se de si mesmo  é, no fundo,  a possibilidade de «entregar-se» sem resistências nem barreiras.

Aqui estão as palavras dela: «temos de nos desocupar de tudo para nos chegarmos interiormente a Deus» ( C.P. 29,5).  É um processo  para facilitar a "encarnação" do Amor de Deus em tudo quanto é humano. Só depende da pessoa querer iniciar este processo libertador da própria vida.

20 -O MELHOR VINHO DA VIDA!



O Amor de Deus é real, mexe connosco... é o melhor vinho que a vida nos pode dar a beber! Não podemos ignorar que tudo o que pode preencher realmente o coração humano, vem de DEUS...
Este Deus tem a capacidade inconfundível de nos embriagar!

Sabemos bem, e bem sentimos ao vivo o quanto sofremos por tudo e por nada, por mil e uma coisas...As pessoas não chegam às expectativas dos anseios «infinitos» que o nosso coração tem... Os apegos afetivos que a maior parte das vezes nos escravizam, limitam profundamente a liberdade interior, rampa de lançamento do  AMOR DE OURO...

Reparemos bem nos afectos humanos que são tão saborosos e tão lindos, ou aquela pessoa que amo tanto: um dia falham, faltam! Tudo termina um dia, tudo tem limitações...um dia essa pessoa tão maravilhosa para mim morrerá, fico desamparad@.....e esse amor? com o tempo dá passo ao esquecimento...e a vida continua o seu percurso!

Por isso temos de ter como ALICERCE uma realidade que dure, que nos apoie na falta do amor humano, do acolhimento que não nos dão, do desaparecimento daquele ou daquela que era a minha alegria...

Teresa chamada "a de Jesus", TESTEMUNHA QUALIFICADA de Deus, deseja muito que experimentemos o modo dela se relacionar com O AMOR, como Pessoa maravilhosa que é Deus...porque na verdade este AMOR com letra maiúscula, é o único que dá profundo e verdadeiro sentido a tudo o que é nosso...já que NUNCA diminui nem NUNCA morre...

19. NÃO ESTAMOS VAZIOS

Mergulhados nas "águas" da própria intimidade de nós mesmos e na de Deus, procuramos dentro de nós, não o vazio, mas a revelação de um ROSTO, o do AMIGO!:  "Repara que te olha!" 

Procuramos uma antecipação do «face-a-face» com O AMIGO, anunciado no Apocalipse de João (Apoc. 22,4)...e desejamos vê-L'O com os nossos próprios olhos (Job 19,27). 

Na consciência da Sua proximidade,  vão nascendo as condições para a experiencia de Deus e para o enamoramento. Esta realidade vai passando da «cabeça» para o «coração».

A oração teresiana é uma manifestação AFECTIVA entre as pessoas que se querem bem e que se encontram próximas: Deus e a pessoa humana...Deus e tu... Diz ela: «O que mais havemos de procurar ao princípio é de cuidar só dela (a alma em relação com O Amigo) , fazendo de conta que não há na terra senão Deus e ela; e isto é o que muito lhe convém!». (Vida 13,9). 

A originalidade de Teresa - como já foi dito algures -  é esta: não espera que o afecto seja fruto das ideias ou do discurso mental, mas simplesmente da fé e dessa consciência de proximidade que estabelece com O AMIGO (Deus) dentro de si mesma.
Esta circunstancia suscita o inevitável colóquio «saído do coração», se a consciência de Sua proximidade é forte.